Coordenador do PPGSC/UFSC analisa, no Nexo Jornal, as propostas dos presidenciáveis para a saúde

16/10/2026 14:29

O coordenador do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC) da UFSC, professor Fernando Hellmann, foi um dos especialistas consultados pelo Nexo Jornal na reportagem “O que os candidatos prometem para a saúde”, publicada em 14 de setembro de 2026. Assinado pela jornalista Mariana Souza, o texto integra a série do veículo sobre os planos de governo das eleições presidenciais de 2026 e examina as principais propostas de seis candidatos para o Sistema Único de Saúde (SUS).

A reportagem aponta que os planos convergem na promessa de modernizar o sistema, reduzir filas e desigualdades no acesso à atenção especializada — frequentemente com apoio de tecnologias digitais e inteligência artificial —, mas pouco detalham fontes de financiamento e mecanismos de coordenação entre União, estados e municípios. Além do professor Hellmann, a matéria ouviu Julia Pereira, doutora em políticas públicas pela UFRJ e gerente de relações institucionais do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps).

Financiamento, força de trabalho e equidade

Nas análises, o coordenador do PPGSC avaliou as propostas à luz dos princípios de universalidade, integralidade e equidade do SUS. Entre os pontos destacados por ele:

  • Atenção especializada: embora considere factíveis as propostas de ampliação do acesso a especialistas, Hellmann classificou a estratégia de parcerias com a rede privada como “interessante, porém paliativa”, por não fortalecer diretamente a infraestrutura física e de pessoal de estados e municípios nem ampliar, de fato, o financiamento público da saúde.
  • Tabela SUS: o professor considerou necessária a correção dos valores pagos pelo SUS, mas observou a ausência de fonte de financiamento definida e o pouco destaque dado à rede própria do sistema em relação aos hospitais filantrópicos.
  • Repasses condicionados a desempenho: para Hellmann, esse critério “não pode ser o único”, sob pena de contrariar o princípio da equidade. “Os lugares mais necessitados nem sempre são os com melhores desempenhos”, afirmou.
  • Vínculo de cada cidadão a uma equipe de saúde: a proposta “seria o sonho do SUS e da universalidade”, segundo o professor, mas carece de caminhos concretos, sobretudo no que diz respeito à força de trabalho.
  • Neurodiversidade: o coordenador reconheceu o potencial de avanços em propostas de acolhimento integrado de pessoas neurodivergentes, ponderando que também é preciso aprimorar os processos de avaliação e diagnóstico.
  • Ênfase no setor privado: Hellmann alertou que a ampliação de serviços por meio de oferta privada — como no cuidado a pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) — pode aprofundar desigualdades entre municípios e famílias, já que esses serviços tendem a ser mais caros e concentrados nos grandes centros. Para ele, seria mais adequado priorizar o fortalecimento e a qualificação da rede pública, especialmente da atenção primária à saúde, tanto para o cuidado quanto para a identificação de necessidades e o encaminhamento aos serviços especializados.
  • Linhas de cuidado cardiovascular: o professor avaliou positivamente a proposta de organizar redes regionais para atendimento rápido de infarto e AVC, considerada pertinente diante do envelhecimento populacional.

Saúde Coletiva no debate público

A participação do coordenador na reportagem reafirma o compromisso do PPGSC/UFSC com a divulgação científica e com a qualificação do debate público sobre políticas de saúde. Em um ano eleitoral, a contribuição de pesquisadores da Saúde Coletiva ajuda a examinar as propostas em disputa a partir das evidências e dos princípios constitucionais que orientam o SUS, independentemente de posicionamentos político-partidários.


Fonte: SOUZA, Mariana. O que os candidatos prometem para a saúde. Nexo Jornal, 14 set. 2026. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2026/09/14/presidente-eleicoes-2026-candidatos-presidencia-medidas-saude-publica