O Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGSC/UFSC), em parceria com a Cátedra UNESCO de Bioética e Saúde Coletiva da UFSC, participou da 4ª edição do Simuvaction on AI 2026, uma simulação internacional de governança global sobre inteligência artificial, realizada entre janeiro e abril de 2026. Nesta Edição, o mestrado do PPGSC/UFSC Bernardo Manata Eloi participou das atividades, também o Professor Fernando Hellmann, coordenador do PPGSC e o representante da UFSC no Simuvaction.
Consolidado como um programa internacional de aprendizagem experiencial, o Simuvaction reúne estudantes de diferentes países e áreas do conhecimento para debater e formular recomendações de políticas públicas sobre os impactos éticos, sociais e políticos da IA. Nesta edição, o tema central foi “IA e o Futuro da Educação”, discutindo se a personalização promovida por sistemas de inteligência artificial representa uma nova pedagogia ou pode aprofundar desigualdades educacionais.
As edições anteriores abordaram diferentes dimensões críticas da IA incluindo: disparidades em saúde, questões ambientais e o trabalho (com ênfase na saúde), evidenciando a transversalidade do tema e sua relevância para os grandes desafios contemporâneos.
A doutoranda do PPGSC Suliane Motta já havia participado de uma edição anterior do Simuvaction, realizada na Universidade Emory, em Atlanta (EUA), focada na negociação de um pacto global sobre recomendações éticas relacionadas à inteligência artificial e à resiliência climática, que incluia a proposta de desenvolvimento de um índice de vulnerabilidade social associado à IA.
O programa de 2026 reuniu cerca de 45 estudantes provenientes de 18 países, que, ao longo de 14 semanas, participaram de um processo formativo baseado em aprendizagem ativa, colaboração internacional e simulação de negociações multilaterais. A iniciativa busca criar um ecossistema de formação, conectando ensino, prática profissional e reflexão crítica, ao mesmo tempo em que fortalece parcerias entre instituições acadêmicas e promove o pensamento global orientado ao princípio “think globally, act locally”.
A semana presencial ocorreu entre os dias 22 e 27 de março, em Paris e Versailles (França), incluindo atividades como a visita ao Ministério da Europa e dos Assuntos Estrangeiros, o “Action Day” — momento central de negociação — e um simpósio internacional sobre IA na educação, realizado no campus da ISEP (Institut Supérieur d’Électronique de Paris).
Inspirado em fóruns multilaterais como o Global Partnership on Artificial Intelligence (GPAI), o Simuvaction propõe uma experiência imersiva em que os participantes assumem papéis como delegados nacionais, jornalistas ou representantes de stakeholders. Ao final do processo, os estudantes elaboram e votam recomendações internacionais voltadas à governança ética da IA.
Além da formação acadêmica, o Simuvaction também promove o engajamento com diferentes atores — acadêmicos, institucionais, econômicos e da sociedade civil — por meio de interações com especialistas, consulados, organizações internacionais e representantes de setores diversos, ampliando a compreensão dos desafios globais associados à inteligência artificial.
Durante o evento, o mestrando Bernardo Manata Eloi foi reconhecido com duas premiações individuais — o Award of Excellence to the Best Innovative Thinker e o CEIMIA Award “Engagement for a Responsible AI” — destacando sua atuação propositiva e seu engajamento nas discussões sobre governança ética da inteligência artificial. Sua participação também se deu no âmbito da Global South Coalition, grupo que recebeu reconhecimento coletivo pela relevância de sua atuação estratégica e pela influência exercida na construção das recomendações globais do encontro.
Segundo Bernardo, a experiência no Simuvaction 2026 reforçou a importância de qualificar o debate sobre inteligência artificial em um contexto de rápida transformação tecnológica. Para o mestrando, as discussões evidenciaram que o avanço da IA na educação precisa estar articulado a princípios de equidade, transparência, proteção de dados e supervisão humana, além da construção de arranjos de governança mais abrangentes, baseados em avaliações de impacto multidimensionais e no engajamento multissetorial de atores institucionais, comunidade científica e sociedade civil. Nesse sentido, também destacou a importância de estabelecer limites claros ao uso de vigilância e biometria em ambientes educacionais e de promover financiamento público para o desenvolvimento de modelos mais abertos, inclusivos e adaptados às realidades nacionais.
Ainda segundo ele, uma das principais contribuições do evento foi evidenciar que o debate sobre IA ultrapassa a dimensão tecnológica, envolvendo também questões estruturais como desigualdade, soberania tecnológica e o direito de diferentes países e populações participarem ativamente da construção desse futuro em seus próprios termos.
A participação do PPGSC/UFSC na iniciativa reforça seu compromisso com a internacionalização, a formação crítica e a inserção em debates globais estratégicos, especialmente na interface entre tecnologia, ética e saúde coletiva.