Profa. Marta Verdi participa do I Congresso Saúde Coletiva em Perspectiva, na FURB, Blumenau

28/08/2026 16:00

A Profa. Marta Verdi, do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGSC/UFSC), participou do I Congresso Saúde Coletiva em Perspectiva, promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Regional de Blumenau (PPGSC/FURB).

A professora integrou a Mesa de Abertura “Saúde Coletiva: justiça social, sistemas de saúde e bem viver”, ao lado da pesquisadora Lígia Giovanella, da Fiocruz. O encontro promoveu reflexões sobre os desafios contemporâneos da Saúde Coletiva, reafirmando sua dimensão política e seu compromisso histórico com a democracia, a justiça social e a defesa de sistemas universais de saúde.

Em sua intervenção, Marta Verdi abordou o tema a partir da perspectiva da Bioética crítico-social, articulando três referenciais ético-políticos: Giovanni Berlinguer e a bioética cotidiana para pensar as desigualdades em saúde como problema ético; Aníbal Quijano, com a compreensão da colonialidade como estrutura histórica das desigualdades; e Alberto Acosta, a partir do Bem Viver como crítica ao horizonte desenvolvimentista e possibilidade de construção de outros modos de existência.

No debate, destacou que falar de Saúde Coletiva significa discutir as próprias condições concretas de existência e os modos pelos quais as sociedades distribuem as possibilidades de viver, adoecer e morrer. Nessa perspectiva, saúde envolve democracia, trabalho, renda, moradia, alimentação, gênero, raça, território, ambiente, participação política, reconhecimento e dignidade.

A professora também ressaltou a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) como expressão de um projeto ético-político forjado no processo de redemocratização brasileira. Mais do que princípios organizativos, universalidade, integralidade e equidade foram apresentados como princípios éticos de sustentação da vida coletiva, reafirmando o direito à saúde e a responsabilidade pública com a proteção da vida.

Outro eixo central da apresentação foi a relação entre justiça social e justiça ambiental, chamando atenção para a distribuição desigual dos impactos das mudanças climáticas e dos modelos de desenvolvimento extrativistas sobre populações e territórios. Nesse contexto, o Bem Viver foi surge como uma provocação ética e política questionando a lógica do crescimento econômico ilimitado e propõe relações orientadas pela reciprocidade, solidariedade, suficiência, comunidade, respeito à diversidade e integração entre seres humanos e natureza.

Ao final, Marta Verdi reforçou o compromisso da Saúde Coletiva e da Bioética com a transformação social e com a construção de futuros nos quais nenhuma vida seja considerada descartável e nenhum território seja considerado sacrificável. A reflexão foi sintetizada em uma questão que envolve o presente e as gerações futuras: “Que relações precisamos transformar, aqui e agora, para que ainda existam mundos possíveis para serem vividos?”