Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva – PPGSC/UFSC
  • Publicado em 02/07/2026 às 17:20
    Acessos Rápidos



    Calendário acadêmico




    Matrículas




    Como ingressar no programa




    Formulários




    Defesa e Qualificação




    Bolsas de Estudos




    Procedimentos Pós-defesa




    Corpo docente



  • PROCESSO SELETIVO DINTER II: INSCRIÇÕES ABERTAS

    Publicado em 19/06/2026 às 18:11

    A Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Santa Catarina torna público o edital de seleção para a Turma de Doutorado Interinstitucional – UFSC/UNIFAP (DINTER II – 2026).

    O processo é destinado exclusivamente a docentes e técnicos do quadro de servidores efetivos da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) e funcionários do Hospital Universitário da UNIFAP.

    🔗 ACESSE A PÁGINA DO PROCESSO SELETIVO DINTER


  • PROCESSO SELETIVO 2026: RESULTADO FINAL DA 1ª ETAPA E CRONOGRAMA DE ARGUIÇÕES (DOUTORADO)

    Publicado em 10/06/2026 às 18:31

    A Comissão de Seleção de Admissão Discente do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC) torna público o Resultado Final da 1ª Etapa (Prova de Conhecimentos) referente aos editais de seleção para ingresso de discentes nos cursos de Mestrado e Doutorado (Turma 2026).

    Informamos também que o cronograma das arguições dos anteprojetos de pesquisa, referente ao Edital nº 04/PPGSC/2026 (Doutorado), já foi publicado.

    Para consultar os resultados, o cronograma e acompanhar o andamento de todas as etapas, acesse:

    🔗 ACESSE A PÁGINA DO PROCESSO SELETIVO DO MESTRADO

    🔗 ACESSE A PÁGINA DO PROCESSO SELETIVO DO DOUTORADO


  • PROCESSO SELETIVO ESTRANGEIROS 2026: RESULTADO DA HOMOLOGAÇÃO DAS INSCRIÇÕES

    Publicado em 25/05/2026 às 16:00

    A Comissão de Seleção de Admissão Discente do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Santa Catarina torna público o Resultado da Homologação das Inscrições referente ao edital de seleção para ingresso de ESTRANGEIROS(AS) nos cursos de Mestrado e Doutorado (Turma 2026).

    🔗 ACESSE A PÁGINA DO PROCESSO SELETIVO PARA VER O RESULTADO E ACOMPANHAR AS PRÓXIMAS ETAPAS


  • CALENDÁRIO E ORIENTAÇÕES DE MATRÍCULA – SEMESTRE 2026.2

    Publicado em 28/06/2023 às 16:14

    A Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC/UFSC) informa que os processos de matrícula para o semestre letivo 2026.2 estão se aproximando. As aulas terão início no dia 17 de agosto de 2026.

    Para organizar o processo, as orientações foram divididas por categorias. Identifique a sua modalidade abaixo, fique atento(a) aos prazos e acesse a página correspondente para ler as instruções completas:


    1. Discentes Regulares (Veteranos)

    Destinado aos(às) estudantes que já estão cursando o Mestrado ou Doutorado no PPGSC. Lembre-se de alinhar a escolha das disciplinas previamente com o(a) seu(sua) orientador(a). (Atenção: A página também contém as novas regras para alunos do PPGSC que desejam cursar disciplinas em outros PPGs).

    • Período de Matrícula e Ajuste (via CAPG): 13/07 a 24/07/2026
    • Envio do Comprovante (via Formulário): 13/07 a 27/07/2026
    • Cancelamento de Disciplina: 27/07 a 28/08/2026

    Acesse aqui as instruções completas para Discentes Regulares


    2. Discentes Ingressantes (Calouros)

    Destinado aos(às) candidatos(as) recém-aprovados(as) nos editais de seleção (Mestrado/Doutorado Regular, Estrangeiros e Dinter II). A matrícula ocorre em duas etapas: documental e online (disciplinas).

    • Entrega de Documentos (Secretaria ou E-mail, conforme edital): 03/08 a 07/08/2026
    • Cadastro no Sistema CAPG: Até 07/08/2026
    • Envio do Comprovante de Disciplinas Assinado: Até 10/08/2026

    Acesse aqui as instruções completas e lista de documentos para Ingressantes


    3. Disciplina Isolada (Alunos Especiais)

    Destinado a pessoas com diploma de graduação, sem vínculo em curso stricto sensu na UFSC, que desejam cursar uma disciplina eletiva no PPGSC.

    • Período de Inscrição Online (via CAPG): 13/07 a 24/07/2026
    • Homologação das Inscrições: Até 31/07/2026
    • Resultado Final: Até 14/08/2026

    Acesse aqui o Edital de Seleção e as instruções para Disciplina Isolada


    4. Discentes de Outros PPGs da UFSC

    Destinado a estudantes regularmente matriculados(as) em outros programas de Pós-Graduação da UFSC que desejam cursar disciplinas ELETIVAS no PPGSC.

    • Solicitação de Matrícula (Google Forms): 13/07 a 24/07/2026
    • Resultado / Autorização (via e-mail): Até 14/08/2026
    • Nota: O(a) discente que tiver a matrícula autorizada pela nossa secretaria deverá encaminhar o e-mail de aceite para a secretaria do seu próprio curso, que será a responsável por efetivar a matrícula no sistema CAPG.

    Acesse aqui o formulário e as instruções para discentes de outros PPGs


    Dúvidas?

    Leia atentamente as páginas indicadas acima. Caso a sua dúvida persista, a secretaria do PPGSC está à disposição pelo e-mail: ppgsc@contato.ufsc.br


  • PPGSC/UFSC participa de encontro regional sobre formação em Política, Planejamento e Gestão em Saúde

    Publicado em 03/07/2026 às 13:13

    A professora Patrícia Maria de Oliveira Machado representou o Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGSC/UFSC) no 1º Encontro de Docentes de Política, Planejamento e Gestão em Saúde (PPGS), realizado nos dias 2 e 3 de julho, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre.

    O encontro reuniu docentes, pesquisadores, estudantes e representantes de programas de pós-graduação e cursos de graduação em Saúde Coletiva para debater os desafios contemporâneos da formação, da pesquisa e da extensão na área de Política, Planejamento e Gestão em Saúde. A programação incluiu rodas de conversa, painéis, sistematizações coletivas e a construção de estratégias de articulação regional entre instituições do Sul do país.

    Durante a atividade, a professora Patrícia apresentou a experiência do PPGSC/UFSC, destacando os elementos curriculares, a estrutura acadêmica e as ações desenvolvidas pelo Programa na interface entre ensino, pesquisa e extensão. A apresentação também contemplou iniciativas realizadas nos níveis de graduação e pós-graduação, com ênfase na formação crítica em Saúde Coletiva e na inserção social das atividades acadêmicas.

    A participação do PPGSC/UFSC reforça o papel do Programa como referência na formação de pesquisadores, docentes e profissionais comprometidos com o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente no campo da Política, Planejamento e Gestão em Saúde. O encontro também possibilitou a troca de experiências entre instituições, a identificação de convergências e singularidades formativas e o fortalecimento de uma agenda regional de cooperação.

    A programação contou ainda com discussões sobre a formação de sanitaristas na graduação, a inserção profissional de egressos, experiências curriculares em diferentes instituições e uma aula aberta com o professor Hugo Spinelli, ampliando o debate sobre os caminhos da Saúde Coletiva no Brasil.


  • Com participação de doutoranda do PPGSC, Florianópolis institui Política Municipal de Saúde Integral da População Negra e Quilombola

    Publicado em 02/07/2026 às 18:35

    Florianópolis passou a contar, desde dezembro de 2025, com uma política pública voltada especificamente à saúde das populações negras e quilombolas. Instituída pela Portaria nº 415/SMS/GAB/2025, de 18 de dezembro de 2025, a Política Municipal de Saúde Integral da População Negra e Quilombola (PMSIPNQ) contempla também as pessoas migrantes, privadas de liberdade, em situação de rua, com deficiência e LGBTQIAPN+ em todos os ciclos de vida. Seu principal objetivo é a garantia da equidade em saúde às populações negras e o enfrentamento ao racismo no Sistema Único de Saúde (SUS), a partir do entendimento da determinação do racismo na produção das iniquidades sociais e raciais em saúde.

    A medida coloca a capital catarinense em um grupo ainda restrito: apenas cerca de 3% dos municípios brasileiros implantaram a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN), instituída em 2009. Até 2025, Florianópolis não possuía área técnica nem política municipal específica — embora a população negra (pretos e pardos) represente 23,7% dos habitantes da cidade, cerca de 120 mil pessoas, segundo o IBGE.

    Os dados locais evidenciam a urgência: em Florianópolis, ser negro significa 2,75 vezes mais chance de óbito por causas precoces (entre 30 e 69 anos) em comparação à população branca, segundo a Vigilância Epidemiológica municipal.

    A política está em implementação na Secretaria Municipal de Saúde (SMS) sob a referência técnica em saúde da população negra da Enfermeira Alexandra A. Marques, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC) da UFSC e bolsista CNPq no Projeto Outras Histórias, sob orientação do professor Dr. Roger Ceccon.

    Uma construção coletiva e democrática

    A PMSIPNQ foi construída por diversos atores do SUS, impulsionada pelo Comitê Técnico de Saúde da População Negra (CTSPN), vinculado à Secretaria Municipal de Saúde — um dos principais dispositivos políticos na articulação desta política pública antirracista na saúde. O debate no âmbito da saúde municipal teve início em 2011, mas foi com a retomada e o fortalecimento do CTSPN, em 2023, que a construção da política se consolidou.

    Ao longo de dois anos, o coletivo — composto em sua maioria por mulheres negras, entre gestoras, pesquisadoras, profissionais da saúde, lideranças negras de organizações sociais e culturais, assessoria de igualdade racial e controle social — estabeleceu as estratégias de diálogo com a sociedade e com a gestão da saúde sobre a importância de um SUS antirracista no município.

    Um marco desse percurso foi a 1ª Conferência Municipal de Saúde da População Negra, realizada em novembro de 2024 no Centro de Ciências da Saúde (CCS) da UFSC, que reuniu 208 participantes e deliberou 55 propostas em saúde para a construção de políticas e ações voltadas às populações negras sob responsabilidade da SMS/PMF. A etapa foi propositiva para a composição de um grupo de trabalho entre gestores, CTSPN e Conselho Municipal de Saúde, que percorreu onze meses de planejamento e escrita da política.

    Após apresentação ao secretário municipal de Saúde, Almir Gentil, o texto passou por consulta pública, foi validado pelas lideranças negras da cidade e pelo controle social em plenária do Conselho Municipal de Saúde, e publicado no diário oficial do município — um trajeto que garantiu uma política desenhada de forma democrática.

    O que prevê a política

    A portaria incorpora as principais deliberações da conferência, entre elas: a criação de uma Área Técnica em Saúde da População Negra e Quilombola na estrutura permanente da SMS; a educação permanente antirracista para 100% dos trabalhadores da rede municipal de saúde; a qualificação dos dados por raça/cor em todos os sistemas de informação; o enfrentamento ao racismo institucional e obstétrico; e o reconhecimento dos Terreiros de matriz africana e afro-indígena como espaços terapêuticos e de promoção da saúde.

    A política contempla expressamente as comunidades quilombolas da cidade — o Quilombo Vidal Martins, o Quilombo do Pastinho e as famílias quilombolas do Morro da Queimada — e prevê atenção específica a gestantes e pessoas com útero, no enfrentamento ao racismo obstétrico, e às pessoas com doença falciforme.

    O monitoramento será feito por meio de 11 indicadores obrigatórios, comparando populações negra e branca — entre eles mortalidade infantil, materna, por homicídios, por suicídio e por doenças crônicas precoces —, com a publicação de boletim epidemiológico anual sobre a saúde da população negra de Florianópolis. A sustentabilidade financeira está garantida pela previsão obrigatória de recursos no Plano Plurianual e na Lei Orçamentária Anual, com fiscalização pelo Conselho Municipal de Saúde, que passa a contar com assento específico para representação da população negra.

    Implementação: informação qualificada e educação antirracista

    A implementação da PMSIPNQ está prevista nos instrumentos de gestão, com priorização na primeira diretriz do Plano Municipal de Saúde 2026-2029. As primeiras estratégias envolvem a qualificação dos sistemas de informação em saúde do município, com dados desagregados por raça/cor/gênero pela Vigilância Epidemiológica, para a construção de indicadores de iniquidades em saúde, e a Educação Permanente Antirracista voltada aos profissionais da saúde por meio do Projeto Sankofa — com previsão de R$ 1 milhão em recursos públicos para 2026-2027 —, que direcionará o olhar da gestão e dos profissionais da assistência à garantia da equidade no acesso e na atenção em saúde às populações negras da cidade.

    Entre as ações já em curso estão a oficina de educação permanente “Por que os marcadores sociais em saúde importam?”, ofertada às redes de atenção à saúde do SUS municipal, a construção de um fluxo de enfrentamento ao racismo nas relações de trabalho na saúde e o planejamento de ações para ampliar o acesso de mulheres negras e quilombolas aos exames de rastreio de câncer de colo uterino e de mama nos territórios negros vulnerabilizados da cidade.

    Conferência Livre nos dias 9 e 10 de julho

    Na construção de um SUS antirracista, o diálogo com o controle social se estabelece de forma contínua. A próxima etapa é a Conferência Livre de Saúde da População Negra e Quilombola de Florianópolis, que ocorrerá nos dias 9 e 10 de julho de 2026, das 19h às 22h, no auditório do SINTE-SC (Rua Tiradentes, 167, Centro, Florianópolis). As inscrições podem ser feitas pelo QR code disponível no cartaz de divulgação do evento.


  • Ciência pela diversidade: no Dia do Orgulho LGBTI+, o PPGSC celebra pesquisas que defendem o direito à saúde

    Publicado em 30/06/2026 às 10:23

    No último dia 28 de junho celebrou-se o Dia Internacional do Orgulho LGBTI+, marco global de afirmação da diversidade, da visibilidade e da resistência. Mais do que uma data festiva, é um momento essencial para relembrar a longa luta por direitos e o combate cotidiano à violência e ao preconceito.

    O Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) aproveita a data para relembrar parte de suas pesquisas recentes e de seus grupos de estudo que produzem ciência em favor dessa comunidade. O trabalho atravessa as três grandes áreas estruturantes da Saúde Coletiva — a Epidemiologia; a Política, Planejamento e Gestão em Saúde (PPGS); e as Ciências Sociais e Humanas em Saúde (CSHS) — e revela como o conhecimento produzido na universidade pública pode iluminar desigualdades históricas e apontar caminhos para a equidade.


    Política, Planejamento e Gestão em Saúde

    UFSC coordena estudo nacional pioneiro sobre atenção básica à saúde da população LGBTI+

    Sediada no PPGSC e desenvolvida em parceria com outras quatro universidades públicas, uma nova pesquisa vai avaliar a qualidade da atenção em saúde destinada à população LGBTI+ em cinco municípios brasileiros. O projeto “Caminhos para a equidade: avaliação da atenção em saúde para pessoas LGBTI+ na atenção primária” conta com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio do Edital Universal (CNPq/MCTI/FNDCT nº 44/2024).

    A proposta vai identificar barreiras de acesso, desafios estruturais e estratégias para qualificar os serviços no âmbito da Atenção Primária à Saúde. A iniciativa é realizada em parceria com as universidades federais do Mato Grosso do Sul (UFMS) e do Amapá (Unifap) e com as estaduais de Maringá (UEM) e do Amazonas (UEA).

    Coordenado pela professora Josimari Telino de Lacerda, do Departamento de Saúde Pública, e pelo mestre egresso do PPGSC André Inácio da Silva, o projeto reúne uma equipe multidisciplinar que atuará em colaboração interinstitucional, fortalecendo redes de pesquisa e ampliando o impacto científico e social da investigação. A execução está prevista para três anos, nas cidades de Florianópolis (SC), Três Lagoas (MS), Macapá (AP), Manaus (AM) e Maringá (PR).

    O trabalho deverá contribuir para a compreensão e o enfrentamento dos desafios históricos e estruturais enfrentados pela população LGBTI+ no Brasil no que diz respeito ao acesso à saúde. Um dado emblemático ilustra a urgência: a expectativa de vida das pessoas trans é de cerca de 35 anos, enquanto a média nacional é de 77 anos — reflexo, na análise da equipe, da violência, da discriminação e da exclusão social.


    Epidemiologia

    UFSC lidera pesquisa nacional pioneira sobre saúde bucal da população trans

    Um estudo pioneiro conduzido pela UFSC revelou um panorama preocupante sobre a saúde bucal da população transgênero atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Florianópolis. A discriminação aparece como uma das principais barreiras: entre os participantes da pesquisa, 70% relataram já ter sido alvo de preconceito ao buscar atendimento odontológico, e 54% abandonaram o tratamento em função dessa dificuldade. Altos índices de cáries não tratadas, perda dentária e problemas periodontais também foram observados, evidenciando que a falta de políticas públicas específicas impacta diretamente a qualidade de vida desse público.

    A inexistência de dados populacionais sobre as pessoas trans, a invisibilidade dos problemas de saúde bucal dessa população e a urgência na definição de serviços específicos impulsionaram a ampliação da pesquisa feita em Florianópolis. De abrangência nacional, o estudo Transbucal Brasil é liderado por pesquisadores da UFSC em parceria com outras universidades, movimentos sociais e a comunidade trans nas cinco regiões brasileiras.

    Segundo a professora Andreia Morales Cascaes, do Departamento de Saúde Pública da UFSC, há poucos estudos que tratem da saúde bucal das pessoas transgênero considerando as especificidades desse público.

    “Não temos dados oficiais em pesquisas como o Censo, ou em pesquisas nacionais que revelem dados epidemiológicos. Estimamos, por exemplo, que a população trans no Brasil seja composta por 2% de toda a população brasileira, o que dá aproximadamente 4 milhões de pessoas. Mas esta é uma estimativa baseada em estudos mundiais, pois não há dados oficiais no país”, ressalta a pesquisadora, que coordenou a pesquisa Transbucal em Florianópolis e lidera o estudo nacional.

    A população trans enfrenta uma situação de invisibilidade tanto na saúde geral quanto na saúde bucal. Nem mesmo a Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais contempla a saúde bucal desse grupo, e serviços transespecíficos do SUS — como o Ambulatório Trans de Florianópolis — não preveem a inclusão de equipes de saúde bucal.

    “As pessoas trans enfrentam uma série de barreiras para acessar serviços de saúde de modo geral, e a situação é mais dramática do ponto de vista da saúde bucal. Eu costumo dizer que, para as políticas públicas, a população trans não tem boca”, ironiza Andreia. “Nós advogamos por esse princípio de inclusão social, da saúde bucal como um direito social. Para chegar nisso, é preciso ter dados que nos permitam entender, de forma precisa, a necessidade de olhar para a saúde bucal desse público específico.”


    Ciências Sociais e Humanas em Saúde

    Epicenes: pesquisa, formação e diálogo com os movimentos sociais

    Vinculado ao PPGSC, o Epicenes – Núcleo de Estudos em Gênero e Saúde reúne pesquisadoras e pesquisadores que produzem ciência nas temáticas de gênero e diversidade sexual aplicadas à saúde. O núcleo se constitui também como espaço formativo para profissionais de saúde e das ciências sociais e como ponto de articulação junto aos movimentos sociais. A coordenação é do professor Dr. Rodrigo Otávio Moretti-Pires.

    Entre os diversos projetos de pesquisa desenvolvidos pelo grupo, destacam-se:

    • Experiências de Parentalidades de Pessoas LGBTI+ no Sistema Único de Saúde: acesso universal?
    • “Se joga na Ciência!”
    • “A violência direcionada aos corpos travestis e a pandemia da Covid-19: relatos de experiência”
    • Reconhecimento social e saúde da população LGBT
    • Saúde LGBT e os impactos da Covid-19
    • Saúde LGBTI+ na formação do ensino superior

    Mais informações estão disponíveis no site do núcleo: epicenes.paginas.ufsc.br.

    Do NUPEBISC, um livro sobre direitos reprodutivos e transinclusão

    No âmbito do NUPEBISC, destaca-se o lançamento do livro do egresso do PPGSC Dr. Ricardo Nascimento: “Da ginecologia para a mulher à ginecologia transinclusiva: direitos reprodutivos e acesso à reprodução assistida para homens trans no Brasil”.

    A obra é produto da tese de doutorado “Direitos reprodutivos e acesso à reprodução assistida para pessoas transmasculinas e homens trans no Brasil — políticas públicas, perspectiva médica e transvivências”, orientada pelo professor Fernando Hellmann e coorientada pela professora Olga Regina Zigelli Garcia.


    Ao reunir essas frentes de trabalho, o PPGSC reafirma um compromisso que está no coração da Saúde Coletiva: produzir ciência que reconheça desigualdades, dê visibilidade a quem historicamente foi invisibilizado e contribua para um SUS verdadeiramente universal, equânime e integral. Neste 28 de junho, celebrar o orgulho também é celebrar o direito de todas as pessoas à saúde.


  • Aberto o período de Avaliação de Disciplinas do PPGSC

    Publicado em 29/06/2026 às 13:19

    A Secretaria do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC/UFSC) convida todos os discentes a participarem do processo de avaliação das disciplinas cursadas.

    A sua participação é fundamental para o processo de avaliação e aprimoramento contínuo das disciplinas ofertadas pelo PPGSC. Solicitamos a sua colaboração para compartilhar sua opinião e pedimos especial atenção ao preenchimento dos campos abertos, pois essas observações detalhadas são de grande valor para o planejamento acadêmico do Programa.

    Orientações importantes para o preenchimento:

    • Uma avaliação por disciplina: O formulário deve ser preenchido para cada disciplina que você cursou. Logo na primeira seção, você deverá selecionar a disciplina correspondente à avaliação que será realizada no momento.
    • Sigilo garantido: Este é um formulário de preenchimento totalmente individual e anônimo, garantindo um espaço seguro para o seu feedback.

    Acessar o Formulário de Avaliação

    Contamos com a colaboração de todos para construirmos um Programa cada vez melhor!


  • Junho Violeta: pesquisa do PPGSC/UFSC revela que 1 em cada 4 idosos de Florianópolis sofre violência

    Publicado em 23/06/2026 às 12:58

    Em junho, o país se mobiliza em torno do Junho Violeta, campanha dedicada à conscientização e ao combate à violência contra a pessoa idosa. A data de referência é 15 de junho, Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, instituído pela ONU. A mobilização, promovida no Brasil pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania sob o lema “Respeito a todas as fases da vida” , busca alertar a sociedade sobre as diferentes formas de abuso: negligência, violência física, psicológica, patrimonial e a exploração financeira.

    Os números nacionais são alarmantes. Dados do Observatório Nacional dos Direitos Humanos apontam 121 mil situações de violência contra pessoas idosas notificadas entre 2018 e 2022. As denúncias ao Disque 100 revelam um padrão que se repete: a maioria das vítimas são mulheres (58,6%), os principais agressores são os próprios filhos e filhas (29,5%) e o local mais comum das agressões é a residência da própria vítima (71,5%). Ou seja: a violência contra o idoso é, antes de tudo, doméstica , ou seja, praticada por quem deveria cuidar.

    O que a ciência produzida no PPGSC/UFSC mostra

    É justamente esse fenômeno que está no centro da tese de doutorado da Dra. Carolina Carvalho Bolsoni, defendida no Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da UFSC, em 2017, sob orientação da Profa. Dra. Elza Berger Salema Coelho, líder do Grupo de Pesquisa Violência e a Saúde. Intitulada “Violência contra a pessoa idosa: estudo de base populacional em Florianópolis – SC”, a pesquisa oferece evidências locais que dialogam diretamente com o alerta do Junho Violeta.

    O estudo utilizou dados da coorte EpiFloripa Idoso, projeto coordenado pela Profa. Eleonora d’Orsi que, desde 2009, acompanha as condições de vida e saúde da população adulta e idosa da capital catarinense. Foram analisados 1.140 idosos residentes na zona urbana de Florianópolis, na onda de 2013-2014, por meio da adaptação transcultural do instrumento Hwalek-Sengstock Elder Abuse Screening Test (H-S/EAST), específico para rastrear maus-tratos.

    O principal achado impressiona: a prevalência de violência foi de 25,7% — ou seja, aproximadamente um em cada quatro idosos da cidade relatou alguma situação de violência. Entre os idosos de 60 a 74 anos, o percentual sobe para 29,5%; entre os de 75 anos ou mais, é de 20,3%. Por sexo, foram 27,9% entre os homens e 24,4% entre as mulheres.

    A tese mostrou ainda que a violência não atinge a todos de forma igual. Entre os idosos com mais de 75 anos, ter mais pessoas dependentes da própria renda, ser de cor parda ou preta, não trabalhar, apresentar déficit cognitivo, ter dificuldade para realizar atividades da vida diária e possuir cuidador estiveram associados a uma chance maior de sofrer violência. O dado reforça o retrato nacional do Disque 100: a vulnerabilidade e a dependência dentro de casa são terreno fértil para o abuso.

    A relação entre violência e saúde mental

    O resultado mais contundente da pesquisa diz respeito à saúde mental. Entre todas as condições de saúde analisadas, a suspeita de sintomas depressivos permaneceu fortemente associada à violência: a chance de sofrer abuso foi 280% maior entre as mulheres e 190% maior entre os homens com esses sintomas. O achado evidencia que violência e adoecimento psíquico caminham juntos — e que cuidar da saúde mental do idoso é também uma estratégia de proteção.

    Por que isso importa

    A tese de Bolsoni reforça uma mensagem central do Junho Violeta: a violência contra a pessoa idosa é frequente, ocorre majoritariamente no ambiente doméstico e está longe de ser excepcional. Ao produzir evidências de base populacional sobre Florianópolis, o trabalho — ancorado no EpiFloripa Idoso e no PPGSC/UFSC — fornece subsídios concretos para políticas públicas de prevenção, exatamente como recomenda o Estatuto da Pessoa Idosa.

    Diante de um Brasil que envelhece rapidamente — estima-se que, em 2070, a proporção de idosos ultrapasse 35% da população —, a autora defende a urgência de novos estudos, inclusive longitudinais, capazes de medir o impacto da violência sobre a saúde e a sobrevida dessa população.

    Denuncie. A violência contra a pessoa idosa pode ser denunciada gratuitamente, 24 horas por dia, pelo Disque 100, também disponível em Libras e pelo WhatsApp (61) 99611-0100.

     


  • Racismo estrutural e inadequação do pré-natal: estudo do PPGSC/UFSC revela quase 4.700 casos evitáveis entre gestantes negras

    Publicado em 15/06/2026 às 14:45

    Racismo estrutural impacta saúde materno-infantil: estudos do PPGSC/UFSC apontam milhares de casos evitáveis de pré-natal inadequado e baixo peso ao nascer entre negros

    Duas frentes de uma mesma pesquisa de doutorado, conduzida no Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGSC/UFSC) pela doutoranda Cristianne Galvão, sob orientação do professor João Luiz Bastos, revelam como o racismo estrutural se manifesta nos desfechos mais precoces da vida: a qualidade do pré-natal e o peso dos bebês ao nascer. Juntos, os resultados preliminares indicam que milhares de casos de inadequação do pré-natal e de baixo peso ao nascer entre a população negra poderiam ser evitados caso os municípios brasileiros reduzissem seus níveis de racismo estrutural.

    O que o estudo investigou

    A pesquisa, ainda em andamento, analisou 313 municípios brasileiros com 100 mil habitantes ou mais, no período de 2022 a 2024. Para mensurar o racismo estrutural em cada município, os pesquisadores construíram um índice composto por seis dimensões, a partir de bases de dados públicas nacionais: o Censo 2022, dados do Ensino Superior (2024), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE 2024) e do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC 2024).

    A partir desse índice, os municípios foram comparados quanto a dois desfechos de saúde materno-infantil: a inadequação do pré-natal e o baixo peso ao nascer (definido como peso inferior a 2.500 gramas), sempre observando a diferença entre recém-nascidos e gestantes negras e brancas. Trata-se de um estudo ecológico, com análises de associação em nível municipal ponderadas pelo número de nascidos vivos com peso conhecido.

    Pré-natal: quanto maior o racismo estrutural, maior a desigualdade

    O primeiro recorte da pesquisa analisou a inadequação do pré-natal — ou seja, o acompanhamento insuficiente da gestação. Os resultados mostram uma associação clara e estatisticamente significativa: municípios com maior racismo estrutural apresentam maiores desigualdades raciais nesse indicador.

    Os municípios foram divididos em quatro grupos (quartis), do menor (Q1) ao maior nível de racismo estrutural (Q4). A diferença negra-branca ajustada na inadequação do pré-natal cresce de forma constante entre esses grupos: 3,78 pontos percentuais no Q1, 4,99 no Q2, 5,00 no Q3 e 5,62 no Q4 — uma tendência linear crescente, com significância estatística (p = 0,023).

    Para estimar o impacto populacional desse padrão, os pesquisadores simularam um cenário hipotético: e se todos os municípios apresentassem o mesmo nível de racismo estrutural observado no quartil mais baixo (Q1)? Nesse caso, os municípios do grupo de maior racismo estrutural (Q4) poderiam evitar até 4.682 casos de inadequação do pré-natal — o equivalente a 11,8% dos casos observados nesses municípios. Já os municípios dos grupos Q3 e Q2 poderiam evitar, respectivamente, 1.858 (7,8%) e 2.398 (5,9%) casos.

    O papel protetor da Atenção Primária à Saúde

    Um dos achados mais relevantes para a formulação de políticas públicas é o papel da Atenção Primária à Saúde (APS) na redução dessa iniquidade. Segundo o estudo, maior cobertura da APS está associada a menor desigualdade racial na inadequação do pré-natal: a cada aumento de 10 pontos percentuais na cobertura da APS, a diferença negra-branca nesse indicador cai em 0,34 ponto percentual. O resultado reforça a importância do fortalecimento da rede básica de saúde como estratégia de enfrentamento ao racismo institucional na saúde.

    Baixo peso ao nascer: quase 5 mil casos evitáveis

    A segunda frente da pesquisa investigou o baixo peso ao nascer, um dos principais preditores de mortalidade infantil, de problemas de desenvolvimento e de doenças crônicas ao longo da vida. Assim como no caso do pré-natal, o estudo encontrou que municípios com maiores níveis de racismo estrutural apresentam maiores iniquidades raciais no percentual de bebês negros nascidos com baixo peso, em comparação a bebês brancos.

    A partir dessa associação, os pesquisadores estimam que 4.845 casos de baixo peso ao nascer entre bebês negros poderiam ser evitados nos municípios brasileiros com maiores níveis de racismo estrutural, caso esses municípios apresentassem condições equivalentes às dos municípios com menor racismo estrutural.

    Racismo estrutural como determinante de saúde, não fatalidade

    Em conjunto, os dois conjuntos de resultados — quase 4.700 casos evitáveis de inadequação do pré-natal e quase 4.850 casos evitáveis de baixo peso ao nascer — desenham um retrato consistente: o racismo estrutural opera como um determinante social de saúde mensurável, que produz consequências concretas e evitáveis já na gestação e no nascimento.

    “Não se trata de uma fatalidade biológica, mas de uma consequência mensurável e reversível das condições sociais às quais as mulheres negras estão expostas durante a gestação”, destacam os pesquisadores. Segundo a equipe, todas as associações encontradas no estudo foram estatisticamente significativas.

    Por que esses resultados importam

    Os achados reforçam a necessidade de políticas públicas que vão além de intervenções clínicas individuais e enfrentem as raízes sociais das iniquidades em saúde — com destaque para o investimento na Atenção Primária à Saúde, identificada como fator de proteção. Como resumem os autores: “Enfrentar o racismo estrutural é promover equidade em saúde desde o início da vida e salvar vidas.”

    Sobre os pesquisadores e o estudo

    A pesquisa é conduzida por Cristianne Galvão, doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC) da UFSC, sob orientação do professor João Luiz Bastos, do Departamento de Saúde Pública da UFSC, com ampla trajetória em estudos sobre iniquidades raciais e sociais em saúde. O manuscrito está em andamento e os resultados apresentados são preliminares.

    Para mais informações: joao.bastos@ufsc.br

    O manuscrito está em andamento.