Doutorando do PPGSC participa da Conferência Internacional sobre as Mudanças da Declaração de Helsinque na cidade de Tóquio
O doutorando do Programa de Pós Graduação em Saúde Coletiva da UFSC, Fernando Hellmann, participou nos dias 28 de fevereiro e 01 de março de 2013 da Conferência dos Especialistas sobre a Revisão da Declaração de Helsinque (Expert Conference on the Revision of the Declaration of Helsinki) em Tóquio – Japão.
Orientado pela Profa. Marta Verdi – professora do PGSC e coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Bioética e Saúde Coletiva, Fernando tem como tema de estudo de sua tese de doutorado os Estilos de Pensamento na Bioética, a partir do objeto da ética em pesquisa. Participar da discussão da Declaração de Helsinque é uma experiência ímpar no seu processo de formação.
A Declaração de Helsinque, adotada em 1964 pela Associação Médica Mundial, é considerada a primeira declaração que abrange um conjunto de princípios éticos que regem a pesquisa envolvendo seres humanos. Esta Declaração já está em sua sétima versão, a última data de 2008, e no momento encontra-se em processo de revisão, importante para atualizar os conteúdos e princípios éticos, para pontuar que os avanços da ciência sempre trazem consigo implicações éticas não pensadas anteriormente, especialmente no que se refere às pesquisas envolvendo seres humanos”.
O Encontro de Tóquio discutiu temas como biobancos (banco de dados com material biológico para pesquisas), seguro e compensações aos participantes de estudo, acesso aos benefícios da pesquisa após estudo, grupos vulneráveis e comitês de ética e reuniu professores, pesquisadores, representantes de órgãos internacionais, como o FDA (Food and Drugs Administration dos EUA), além de representantes da indústria farmacêutica.
Para Fernando Hellmann, a importância de se acompnahar essa discussão está no fato de a atual versão Declaração de Helsinque, datada de 2008 pode ser considerada um grande retrocesso no que diz respeito à proteção dos seres humanos em pesquisas, especialmente nos países em desenvolvimento, por introduzir o chamado duplo standard ético: uma ética para países ricos e outra para os países pobres, uma forma de usar pessoas vulneráveis em processos de pesquisa proibidos em determinados países. Os representantes que participaram do evento de Tóquio, provenientes de países em desenvolvimento, como o Brasil, Índia e África do Sul, esperam que o atual processo de revisão da Declaração de Helsinque possa resultar em um documento com princípios que fortaleçam a proteção da população vulnerável e um standard único”.